Essência Sexual: qual é a sua? E por que ela é importante?

Na última coluna, investi um tempo para a correta conceituação do que vamos chamar por aqui de “masculino” (tudo aquilo que em você não muda) e “feminino” (tudo o mais) e fiz uma provocação de que seu crescimento e amadurecimento pessoal / espiritual dependem do equilíbrio entre os aspectos do masculino e do feminino dentro de você. Além disso, defendi a necessidade de uma prática customizada para o seu tipo, o que, por sua vez, depende da sua essência sexual. Vamos lá.

Há várias formas de abordar o tema da essência sexual, mas a versão que vou apresentar aqui usa amplamente a abordagem de David Deida (ver Intimate Communion: http://tinyurl.com/p2cjbjq), que tem um dos mais divertidos, didáticos e úteis pontos de vista sobre o assunto.

Imagine que você pudesse entrar em uma loja de departamentos cósmica e pudesse escolher, a partir de um amplo e inesgotável menu de opções, todos os aspectos de seu parceiro ideal: a aparência física, sua personalidade, características emocionais, qualidade da energia, caráter e inteligência. Vamos nos concentrar no aspecto sexual, ou seja: o que te atrai no(a) parceiro(a)? (By the way, essa será a última vez que utilizarei a politicamente correta – e chata! – forma de tratar os gêneros sempre abrangendo ele(a) e ela(o), ok? Daqui pra frente, usarei livremente a referência ao gênero que me convier, e deixo ao leitor que faça os ajustes necessários.)

Que características teria a sua parceira ideal? Fisicamente, ela deve ser mais forte ou mais delicada do que você? Maior ou menor do que você? Na cama, você prefere estar no controle da situação, fazendo-a se entregar perdidamente à sua condução, ou você prefere ser levado por ela? Se você pudesse escolher entre (a) um relacionamento perfeito e uma seqüência de trabalhos / missões insatisfatórias, ou (b) uma seqüência de relacionamentos imperfeitos e uma vocação / missão absolutamente clara e definida, o que você preferiria? Quando a sua parceira te magoa, a sua reação é (a) sentir o impulso de sair da relação, mesmo que apenas por uma noite; (b) fechar-se emocionalmente; ou (c) discutir a situação racionalmente, sem sentir a necessidade de me fechar, nem de abandonar a relação?

(Note que as perguntas acima são bastante simplificadas e esquemáticas, incapazes por si só de fornecer uma informação completa sobre o (infinito) espectro de variações e sutilezas que compõem as possibilidades de opção e atração sexual entre duas (ou mais) pessoas, bem como jamais terão a pretensão de captar as variações nas suas preferências sexuais ao longo de sua vida, ou nem mesmo ao longo de um dia. Mas elas servem como um “guia” inicial para eu fazer o meu ponto aqui.)

Assim, se você prefere uma parceira menor, mais delicada, que se deixe conduzir (sexualmente) e se, além disso, suas atitudes são mais próximas das alternativas (b) na primeira e (a) na segunda pergunta, você provavelmente tem uma essência sexual masculina. Caso contrário, obviamente sua essência sexual é mais feminina. Imagine uma “escala de polaridade” que se estenda de um ponto no extremo do feminino a outro, no extremo do masculino, tendo uma região ou um ponto “neutro” em seu centro: a sua essência vai se localizar em algum ponto dessa “escala”, enquanto o seu parceiro ideal estará em posição recíproca (ou seja, eqüidistante do centro, mas em direção ao outro pólo).

Um ponto importante: a sua essência sexual não tem qualquer relação com a sua opção sexual: você pode ser um homem heterossexual e ter a essência sexual feminina. E vice-versa, ao contrário e de ponta-cabeça. Ou seja, todas as combinações imagináveis de gênero, opção sexual e essência sexual são possíveis. Além disso, a sua essência sexual é apenas uma e não varia ao longo da vida.

A maioria das pessoas vai se identificar mais com um dos pólos do que com o outro, e tenderá a buscar um parceiro que seja seu exato recíproco. No entanto, é possível também que você esteja mais próximo do centro dessa escala, no “neutro”. Nesse caso, polaridade sexual é algo relativamente secundário em sua vida e nos seus relacionamentos. A resposta esquemática padrão é a alternativa (c) na última pergunta ali em cima. Isso não significa que você não goste de sexo, mas apenas demonstra que os assuntos relacionados com a polaridade sexual – a paixão, a atração por alguém, aquela sensação de arrebatamento e tesão incontrolável apenas ao cruzar os olhos da “pessoa certa” em pleno supermercado, o “fogo” na vida, etc. – são menos importantes do que o companheirismo e o equilíbrio (neutralidade) em sua relação íntima.

A importância de fazer esse exercício de mapeamento da sua essência sexual reside, em primeiro lugar, em facilitar a compreensão do tipo de pessoa que tenderá a “ligar” ou “acionar” a sua essência, dependo de você estar mais para o lado feminino ou masculino da escala. Dois femininos não se atraem: os pólos semelhantes se repelem, os pólos opostos se atraem. E, quanto mais você estiver próxima do extremo feminino, mais buscará um parceiro que esteja no outro extremo, do masculino.

Mas, além disso – e aqui o link com a coluna anterior -, as práticas meditativas adequadas para um tipo e outro são diametralmente opostas. Em geral, pessoas com essência sexual masculina buscam o “vazio”, a “liberdade”, como objetivo de realização. Para estas, as práticas de zazen, Vipasana, e a imensa maioria de variações das meditações ditas “estáticas”, como o sentar-se em silêncio ou a quieta recitação de mantras, têm a tendência de se “encaixarem” mais naturalmente, pois exatamente apelam para essa essência sexual masculina. Estes indivíduos terão maior facilidade com este tipo de prática meditativa.

Por outro lado, no outro extremo, se a sua essência sexual está mais no pólo feminino, seu objetivo de realização é atingido através do “amor”, da “luz” e da “plenitude”. Nesse caso, será muito mais natural para você o conjunto de práticas de meditações dinâmicas, danças sagradas, e atividades devocionais, de entrega e serviço ao outro.

No seu processo de amadurecimento individual, é fundamental “localizar” a sua essência sexual e customizar sua prática de acordo com aquilo que alinha o seu ser como um todo. E o convite aqui é óbvio: experimente! Brinque com as diferentes técnicas disponíveis para seus exercícios interiores e não tenha medo de alternar entre práticas estáticas e dinâmicas. O importante é você adquirir fluência nos aspectos do masculino e do feminino da existência, tornando-se mais completo, mais aberto e mais capacitado no entendimento do outro.

    • ahanti

      Boa tarde , Fernanda! Obrigado pela mensagem e fico feliz que tenha gostado do vídeo. Me envie um email em ahanti@mac.com e posso te sugerir materiais de leitura muito ricos (vc lê inglês também?) sobre o tema da essência sexual.
      Quanto à essência, na verdade não buscamos o seu ‘aperfeiçoamento’, mas sim a sua ‘correta localização’ no contínuo que vai do ‘extremo feminino’ em uma ponta ao ‘extremo masculino’ em outra, com um ‘neutro’ no meio. Todo o trabalho que propomos consiste em desmanchar as ‘falsas camadas’ – acumuladas em anos de traumas e episódios desde a mais tenra infância –, que obscurecem a sua essência sexual original, para que esta possa brilhar de volta à superfície e te permitir uma vida mais plena e feliz.
      E a importância de localizar sua essência sexual está relacionada às práticas que te ‘realinham’ com a sua essência, que são por sua vez completamente diferentes no masculino ou no feminino.
      Fique em contato!

  1. rosepaz0503

    Eu amei esse texto. Aliás todo o Blog tem conteúdos muito ricos (eu vou comentar tbm). Mas esse em especial da uma linha de direção na busca por vc e pelo outro. Se vc compreende deixa de ser uma incógnita e a capacidade de aceitação e/ou sair na busca de melhorias é infinitamente maior, pois vc já tem uma visão. Obrigada pelo ser que se tornou e resolveu compartilhar para nossa evolução.

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