O 3º Estágio

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Na penúltima coluna (21/12/2014), explorei os dados de uma pesquisa recente, que permitia concluir pela posição “machista” tanto de homens quanto de mulheres jovens no Brasil. Chamei a isso de sociedade de “1º estágio”, tipificada na relação íntima por uma situação de dependência emocional entre o homem e a mulher, na qual cada um se vê como “propriedade” do outro. E abordei também o que seria um “2º estágio”, quando já aparece uma maior (ou completa!) igualdade de fato e de direito entre os gêneros.

Países em desenvolvimento – e notadamente a nossa cultura “latina” – são tipicamente países de 1º estágio, ao passo que sociedades mais maduras – como a Escandinávia, talvez o único exemplo mundial (!) – apresentam características de 2º estágio. Nessas sociedades, embora tenha havido significativo avanço com relação à co-dependência que caracteriza o estágio anterior, surge o efeito colateral indesejável da “despolarização” das relações, na medida em que o homem se suaviza (e perde a espinha no processo) e a mulher endurece (e perde a luz e o brilho divinos).

Prometi a saída: a terceira possibilidade, ou “3º estágio”. O que vem a ser isso? Vamos por partes.

Cada estágio corresponde a um certo nível de maturidade individual. No 1º estágio, a preocupação central sou “eu” e “minhas necessidades”. Isso inclui as necessidades materiais (sobrevivência), emocionais (carência) e mentais (aquilo que eu quero, ou acho que necessito). Nas relações sociais, corresponde ao estereótipo da relação de propriedade entre homem e mulher: “você é minha!” e “não posso ser feliz sem você!” são as frases-estereótipo deste estágio.

À medida que amadurece, o indivíduo passa para o 2º estágio, onde já reconhece que existe “pelo menos um outro”, e as relações passam a se dar de forma mais equilibrada entre “o que eu quero” x “o que nós queremos”. Socialmente, o 2º estágio pode ser representado pela “religião do equilíbrio”, em que todas as diferenças (inclusive sadias) entre gêneros são sacrificadas no altar da igualdade. Eu digo “eu te amo” e espero que você responda da mesma forma. Eu dou um passo em sua direção e espero que você também dê um passo na minha. É uma situação de “barganha permanente”: cada um ‘negocia’ um pouco de sua liberdade em troca de mais intimidade, passo a passo. E, ao mesmo tempo, cada um sabe que pode cuidar muito bem de si mesmo, sem necessitar do outro.

O 3º estágio, muito mais sutil, tem a ver com aqueles raros momentos em que reconhecemos que não há separação ou diferença entre “eu” e “os outros”, ou “o resto do mundo” – aqueles raros estados de integração com o todo e com tudo à nossa volta, que em geral se atinge em meditação profunda, ou mesmo espontaneamente, nos quais a identificação com o ego se dissolve e resta apenas uma percepção consciente de si e de tudo o mais ao redor. Os momentos de 3º estágio tendem a ocorrer cada vez mais, na medida direta de sua maturidade espiritual. E, na relação a dois, o 3º estágio se caracteriza pela entrega absoluta, sem “barganha” ou “condições” estabelecidas de parte a parte, simplesmente porque você não tem opção: você sabe, porque já experienciou isso repetidas vezes, que a alternativa à entrega é fechar-se em si mesmo, o que é sempre mais doloroso. Assim, uma relação vivida em 3º estágio se parece, externamente, com uma paixão desenfreada – típica de 1º estágio, quando as coisas ainda estão “polarizadas” –, embora seja pautada por um nível de compreensão muito mais maduro e elevado, incomparável com as limitações de co-dependência do 1º estágio. É amar “de mãos abertas”, dando liberdade absoluta ao parceiro.

Então, como diferenciar os estágios numa relação a dois? Vamos imaginar uma cena, contada a partir da perspectiva do homem – o mesmo exemplo poderia ser revertido para oferecer a perspectiva de ação da mulher no 3º estágio.

Você chega do trabalho, onde passou o dia estressado discutindo acordos comerciais complexos com clientes insuportáveis. Entra em casa e se depara com o que lhe parece a manifestação do caos na terra: as crianças fazendo guerra de almofadas na sala com a TV ligada a mil, o cachorro sujando tudo e sua esposa exausta, com o jantar atrasado e frustrada por não ter conseguido ainda o tempo para se arrumar para o compromisso de hoje à noite na casa dos vizinhos.

No 1º estágio, você cumprimenta burocraticamente sua mulher, pega uma cerveja, dá um esporro nas crianças para que tomem banho e senta em frente à TV para assistir ao esporte/noticiário e “esvaziar” a tensão do dia na bebida. Tudo isso enquanto ela finaliza a janta, cuida da louça e tenta se arrumar minimamente para o compromisso no vizinho, o que obviamente parece ser impossível de alcançar, dado o avançado da hora.

No 2º estágio, você reconhece que ela está tendo um dia tão estressante quanto o seu, lhe dá um abraço e pergunta: “estou vendo que as coisas aqui estão complicadas; como posso ajudar?”. Vocês chegam a um acordo sobre a divisão de tarefas e você vai “fazer a sua parte” do acordo, botando as crianças para tomar banho, enquanto ela finaliza o jantar. Depois você ajuda com a louça para que ela tenha tempo de se arrumar para que vocês saiam com o menor atraso possível para o compromisso com os vizinhos.

No 3º estágio, você chega em casa e, percebendo a situação, conclui que algo precisa ser feito imediatamente: aquela “tempestade” exige um hábil timoneiro, capaz de guiar a família com segurança para longe do potencial “desastre” que se anuncia no caos doméstico. Você surpreende a esposa e afasta-a do fogão, dando-lhe um longo beijo e uma pegada de saudade em sua bunda, dizendo que pare tudo e vá se arrumar, que você cuidas crianças. Enquanto bota elas no chuveiro, pede um tele-entrega de burgers e chama a babá que mora perto e já cuidou das crianças no passado. Liga para o vizinho e cancela o jantar, pois você e ela precisam de um “quality time” juntos. A babá chega, você sai pra jantar com sua esposa no restaurante preferido dela e, ao voltarem, fazem amor loucamente como nos “velhos e bons tempos”.

A compreensão do 3º estágio é o que permite essa re-polarização da relação: você não mais se comporta de acordo com aquilo que seria a sua necessidade (1º estágio), nem mesmo tenta buscar o equilíbrio no empenho de ambos para a solução da situação (2º estágio). Na verdade, você tem a capacidade de sentir a situação como um todo e agir com base naquilo que a sua intuição lhe informa como sendo o melhor para toda a comunidade (nesta cena, toda a família!).

O movimento do 2º para o 3º estágio exige a integração consciente da sombra em cada um: sem a consciência dos aspectos ocultos de sua psiquê, não há possibilidade de crescimento e aprofundamento além do estágio de serem apenas “bons parceiros”, ou “irmãos” na relação, os quase-sócios no business de criação e sustento de uma família. Tanto o homem (ou o parceiro com essência sexual masculina) quanto a mulher (ou a parceira com essência sexual feminina) precisam desenvolver uma prática individual que permita: (1) entrar em contato com a sombra em cada um, (2) dar forma e expressão a estes elementos ocultos/sombrios, (3) permitir a expressão plena e consciente da sombra na forma de energia escura (dark energy) durante a relação sexual e (4) integrar essa expressão e energia profundas no seu cotidiano.

Como uma nota de encerramento, vale lembrar que as definições acima são absolutamente esquemáticas e têm apenas o propósito de orientar não uma discussão conceitual sobre filosofia e espiritualidade, mas sim a tradução destas manifestações de energia vital na sua prática meditativa, independentemente da corrente filosófica/espiritual de sua preferência.

E, como já disse em outra coluna, cada indivíduo se encontra necessariamente em um nível absolutamente único de maturidade e, portanto, recomendações de práticas meditativas devem ser feitas caso a caso, de acordo com aquilo que é válido para o seu caso.

Não há remédio ou técnica universais.

O brasileiro é machista. A brasileira também.

Pesquisa recente do Instituto Avon e Data Popular revelou alguns dados interessantes sobre o “estágio de desenvolvimento”, como vou chamar, da juventude brasileira, no que se refere à relação de (des)igualdade entre os sexos. Isso é interessante para entendermos os limites e desafios que se impõem sobre as práticas do sagrado no masculino e no feminino. Vejamos.

Segundo os dados divulgados no início de dezembro de 2014, 48% dos jovens pesquisados consideram errado a mulher sair sozinha com amigos, sem a companhia do marido / namorado / “ficante”. Foram ouvidos 2.046 jovens de 16 a 24 anos em todo país, sendo 1.029 mulheres e 1.017 homens. A pesquisa mostrou ainda que:
– 96% dos jovens acreditam viverem em uma sociedade machista
– 68% acham errado a mulher ir para a cama no primeiro encontro
– 76% criticam aquelas que têm vários “ficantes”
– 80% afirmam que a mulher não deve ficar bêbada em festas/baladas
– 78% das jovens afirmam terem sido assediadas de alguma forma (inclui: cantada ofensiva, abordagem violenta na balada e beijo forçado)
– 1/3 declararam terem sido assediadas fisicamente no transporte público

A coisa piora um pouco quando o tema são os relacionamentos íntimos. Entre as garotas:
– 53% já tiveram o celular vasculhado pelo parceiro
– 40% têm parceiro que controla o que elas fazem e com quem estão
– 35% foram xingadas pelo namorado
– 33% impedidas de usar determinada roupa
– 9% obrigadas a fazer sexo contra a vontade (hello, isso é “estupro”!)
– 37% tiveram relação sem camisinha por influência do parceiro
– 32% tiveram que excluir alguém do Facebook por influência do parceiro
– 30% tiveram email ou perfil de rede social invadido pelo namorado
– 28% foram impedidas de conversar com amigos virtualmente

Com relação ao machismo do título da coluna, mais mulheres do que homens (42% delas e 41% deles) disseram concordar que “uma garota deve ficar com poucos homens”. E ainda 43% dos garotos diferenciam entre garotas que são “apenas para ficar” daquelas que são “para namorar”. Ou seja, aquelas que ficam com muitos homens não são para namorar; 34% das jovens pensam o mesmo. Mulheres que usam decote e saia curta estão se oferecendo, segundo 30% dos homens e 20% (!!!) das mulheres.

Ou seja, é possível concluir que a juventude brasileira média ainda tem, na sua relação íntima, a maturidade do típico estereótipo de família em que o homem enxerga a mulher como sua “propriedade” e que, portanto, ela deve lhe prestar contas, servir sexualmente, e lhe obedecer cegamente.

É o padrão de famílias dos anos 50 na Europa e Estados Unidos: o macho dominante que provê para a casa e dá a segurança física e a estabilidade material para a família – quando ele está presente e ainda não morreu no crime/tráfico de drogas, ou simplesmente sumiu por abandono da família –, e a fêmea submissa, dona de casa ou com um trabalho que apenas contribui marginalmente para a renda da família, responsável pela segurança emocional (dele inclusive) e pelos serviços sexuais ao marido.

Isso caracteriza o que chamarei aqui de “sociedade de 1º estágio”, tipificada na relação íntima por uma situação de dependência entre o homem e a mulher: ele depende dela emocional e sexualmente, ela depende dele para a segurança material. Esse padrão de comportamento é consistente com os dados obtidos pela pesquisa do Instituto.

À medida que o progresso material e psíquico acontece, a sociedade começa a entrar no que vou chamar de “2º estágio”, onde há uma maior (ou completa!) igualdade de direitos e de fato entre os gêneros. Nesse estágio, a mulher já conquistou seu lugar no mercado de trabalho, assume funções de liderança antes tipicamente exclusivas dos homens, chegando aos Conselhos de Administração e às posições de CEO em empresas relevantes. Ao mesmo tempo, no simétrico da escala, o homem aprendeu a entrar em contato com seus sentimentos: ele fez terapia, meditação, participou de grupos de homens, descobriu seu “lado feminino” e seu contato com a “Mãe Terra”, com a natureza em geral. Aprendeu a ficar menos “rígido” e a “seguir o fluxo” das coisas.

Importante notar que é um avanço essa migração – tanto individual quanto coletiva – do 1º para o 2º estágio: é um movimento libertador, para ambas as partes, que saem de uma posição de co-dependência para uma situação nova, de autonomia em si mesmos. Cada um “aprende a cuidar de si”, no 2º estágio: a mulher, passa a prover para o seu sustento e deixa de depender materialmente do marido; o homem, passa a compreender melhor seus sentimentos e a cuidar de si emocionalmente. No entanto, ao mesmo tempo em que isso acontece, há um efeito colateral subjacente, que em geral passa despercebido, mas que é um dos elementos mais críticos e presentes na atual “doença moderna dos relacionamentos”. O movimento do 1º para o 2º estágio traz consigo uma despolarização da relação masculino-feminino. Explico.

A mulher, ao sair “do lar” e assumir o cuidado das próprias finanças e por vezes o sustento de toda a família, faz um movimento do feminino (cuidar da casa / do lar) para o masculino (competir no mercado de trabalho). Nesse movimento, ela precisa incorporar aspectos típicos do masculino: direcionalidade, intenção, competição, missão, visão, foco, determinação, comunicação clara, consistência de propósitos, liderança de equipes. Ela passa a absorver e incorporar em sua ação no mundo essas qualidades do killer, típicas do masculino e necessárias para a competição no mercado de trabalho, simplesmente porque o Sistema funciona desse modo no mundo capitalista e exige esse tipo de comportamento para o sucesso. Assim, uma mulher com essência sexual feminina terá de adotar uma “capa” masculina para funcionar no mundo.

Até aí tudo bem, desde que ela pudesse se despir da “capa” assim que finalizasse sua “missão” fora de casa. Mas o problema é que as exigências do mercado de trabalho atual e o ritmo alucinante de desenvolvimento e crescimento das empresas restringe cada vez mais o tempo livre e, sem uma prática de reconexão adequada para o seu “tipo”, a mulher acaba chegando em casa para sua “segunda jornada” de trabalho: cuidar da casa, dos filhos, das tarefas escolares das crianças, etc. etc. etc. E isso acontece tanto em lares nos quais o marido já se foi, quanto nos lares em que ele está presente, mas na maioria das vezes cumpre jornada de trabalho igualmente longa e estressante, com praticamente nenhum tempo livre para a sua reconexão consigo e com a parceira. Falei da mulher. E o homem?

No caso dos homens, essa ascensão das mulheres a posições de liderança no mercado de trabalho – e, consequentemente, a maior independência financeira para sua parceira, que não precisa mais ficar em casa e depender dele – trouxe uma insegurança crescente, refletida não apenas em um novo tipo de competição no trabalho, mas também em uma parceira que tem opinião própria, sabe o que quer, tem independência financeira e “cuida do próprio nariz”, como diz o ditado. Isso deixou os homens com um novo tipo de vulnerabilidade, financeira além da emocional (que já existia desde sempre pelo perfil da criação masculina, a menos que o homem tenha buscado o auto-conhecimento). O reflexo dessa nova fragilidade é um bando de bundas-moles sem noção do que querem da vida: homens sem espinha, sem direção, sem capacidade de conduzir e guiar através das intempéries do mundo (desafios do trabalho) e da mulher (desafios no sexo e no relacionamento). E, portanto, sem capacidade de foder a sua mulher e abri-la para o Divino – que é o que o Feminino deseja, em seus lugares mais íntimos.

E aqui reside a causa de boa parte dos problemas de relacionamento no mundo moderno. A mulher independente, que confia mais na sua direção do que na dele e, assim, se recusa a se entregar, a se abandonar (surrender). O homem suave, que perdeu a espinha junto com a dureza do “macho chovinista” do 1º estágio, mas ainda não encontrou sua capacidade profunda de navegar o mundo (= a sua mulher, o trabalho, etc.) com intuição, direção e integridade.

A saída? A reconexão com o sagrado masculino e o sagrado feminino e a migração de ambos para o 3º estágio. Tema da próxima coluna.

Essência Sexual: qual é a sua? E por que ela é importante?

Na última coluna, investi um tempo para a correta conceituação do que vamos chamar por aqui de “masculino” (tudo aquilo que em você não muda) e “feminino” (tudo o mais) e fiz uma provocação de que seu crescimento e amadurecimento pessoal / espiritual dependem do equilíbrio entre os aspectos do masculino e do feminino dentro de você. Além disso, defendi a necessidade de uma prática customizada para o seu tipo, o que, por sua vez, depende da sua essência sexual. Vamos lá.

Há várias formas de abordar o tema da essência sexual, mas a versão que vou apresentar aqui usa amplamente a abordagem de David Deida (ver Intimate Communion: http://tinyurl.com/p2cjbjq), que tem um dos mais divertidos, didáticos e úteis pontos de vista sobre o assunto.

Imagine que você pudesse entrar em uma loja de departamentos cósmica e pudesse escolher, a partir de um amplo e inesgotável menu de opções, todos os aspectos de seu parceiro ideal: a aparência física, sua personalidade, características emocionais, qualidade da energia, caráter e inteligência. Vamos nos concentrar no aspecto sexual, ou seja: o que te atrai no(a) parceiro(a)? (By the way, essa será a última vez que utilizarei a politicamente correta – e chata! – forma de tratar os gêneros sempre abrangendo ele(a) e ela(o), ok? Daqui pra frente, usarei livremente a referência ao gênero que me convier, e deixo ao leitor que faça os ajustes necessários.)

Que características teria a sua parceira ideal? Fisicamente, ela deve ser mais forte ou mais delicada do que você? Maior ou menor do que você? Na cama, você prefere estar no controle da situação, fazendo-a se entregar perdidamente à sua condução, ou você prefere ser levado por ela? Se você pudesse escolher entre (a) um relacionamento perfeito e uma seqüência de trabalhos / missões insatisfatórias, ou (b) uma seqüência de relacionamentos imperfeitos e uma vocação / missão absolutamente clara e definida, o que você preferiria? Quando a sua parceira te magoa, a sua reação é (a) sentir o impulso de sair da relação, mesmo que apenas por uma noite; (b) fechar-se emocionalmente; ou (c) discutir a situação racionalmente, sem sentir a necessidade de me fechar, nem de abandonar a relação?

(Note que as perguntas acima são bastante simplificadas e esquemáticas, incapazes por si só de fornecer uma informação completa sobre o (infinito) espectro de variações e sutilezas que compõem as possibilidades de opção e atração sexual entre duas (ou mais) pessoas, bem como jamais terão a pretensão de captar as variações nas suas preferências sexuais ao longo de sua vida, ou nem mesmo ao longo de um dia. Mas elas servem como um “guia” inicial para eu fazer o meu ponto aqui.)

Assim, se você prefere uma parceira menor, mais delicada, que se deixe conduzir (sexualmente) e se, além disso, suas atitudes são mais próximas das alternativas (b) na primeira e (a) na segunda pergunta, você provavelmente tem uma essência sexual masculina. Caso contrário, obviamente sua essência sexual é mais feminina. Imagine uma “escala de polaridade” que se estenda de um ponto no extremo do feminino a outro, no extremo do masculino, tendo uma região ou um ponto “neutro” em seu centro: a sua essência vai se localizar em algum ponto dessa “escala”, enquanto o seu parceiro ideal estará em posição recíproca (ou seja, eqüidistante do centro, mas em direção ao outro pólo).

Um ponto importante: a sua essência sexual não tem qualquer relação com a sua opção sexual: você pode ser um homem heterossexual e ter a essência sexual feminina. E vice-versa, ao contrário e de ponta-cabeça. Ou seja, todas as combinações imagináveis de gênero, opção sexual e essência sexual são possíveis. Além disso, a sua essência sexual é apenas uma e não varia ao longo da vida.

A maioria das pessoas vai se identificar mais com um dos pólos do que com o outro, e tenderá a buscar um parceiro que seja seu exato recíproco. No entanto, é possível também que você esteja mais próximo do centro dessa escala, no “neutro”. Nesse caso, polaridade sexual é algo relativamente secundário em sua vida e nos seus relacionamentos. A resposta esquemática padrão é a alternativa (c) na última pergunta ali em cima. Isso não significa que você não goste de sexo, mas apenas demonstra que os assuntos relacionados com a polaridade sexual – a paixão, a atração por alguém, aquela sensação de arrebatamento e tesão incontrolável apenas ao cruzar os olhos da “pessoa certa” em pleno supermercado, o “fogo” na vida, etc. – são menos importantes do que o companheirismo e o equilíbrio (neutralidade) em sua relação íntima.

A importância de fazer esse exercício de mapeamento da sua essência sexual reside, em primeiro lugar, em facilitar a compreensão do tipo de pessoa que tenderá a “ligar” ou “acionar” a sua essência, dependo de você estar mais para o lado feminino ou masculino da escala. Dois femininos não se atraem: os pólos semelhantes se repelem, os pólos opostos se atraem. E, quanto mais você estiver próxima do extremo feminino, mais buscará um parceiro que esteja no outro extremo, do masculino.

Mas, além disso – e aqui o link com a coluna anterior -, as práticas meditativas adequadas para um tipo e outro são diametralmente opostas. Em geral, pessoas com essência sexual masculina buscam o “vazio”, a “liberdade”, como objetivo de realização. Para estas, as práticas de zazen, Vipasana, e a imensa maioria de variações das meditações ditas “estáticas”, como o sentar-se em silêncio ou a quieta recitação de mantras, têm a tendência de se “encaixarem” mais naturalmente, pois exatamente apelam para essa essência sexual masculina. Estes indivíduos terão maior facilidade com este tipo de prática meditativa.

Por outro lado, no outro extremo, se a sua essência sexual está mais no pólo feminino, seu objetivo de realização é atingido através do “amor”, da “luz” e da “plenitude”. Nesse caso, será muito mais natural para você o conjunto de práticas de meditações dinâmicas, danças sagradas, e atividades devocionais, de entrega e serviço ao outro.

No seu processo de amadurecimento individual, é fundamental “localizar” a sua essência sexual e customizar sua prática de acordo com aquilo que alinha o seu ser como um todo. E o convite aqui é óbvio: experimente! Brinque com as diferentes técnicas disponíveis para seus exercícios interiores e não tenha medo de alternar entre práticas estáticas e dinâmicas. O importante é você adquirir fluência nos aspectos do masculino e do feminino da existência, tornando-se mais completo, mais aberto e mais capacitado no entendimento do outro.

O Masculino e o Feminino em Você

Image(imagem: Tiffani Gyatso)

Como a intenção deste espaço é a “exploração do sagrado masculino e do sagrado feminino”, é importante dedicarmos pelo menos um pouco de tempo aos conceitos de masculino e feminino que usarei por aqui. 

A abordagem que vou adotar não é invenção minha, nem surgiu out of the blue. É baseada em conceitos muito antigos, com raízes em tradições como o Ayurveda e as origens do taoísmo e do tantra. 

Nós vamos convencionar como “masculino”, tudo aquilo que em você não muda, ou seja, aquilo que é permanente. Ou seja, o que é essa “coisa” que te permite acordar de manhã e não levar um susto ao se olhar no espelho, ou que te permite afirmar pensamentos do tipo “quando eu tinha oito anos, fiz isso-e-aquilo…” ? Faça esse exercício e reflita sobre aquilo que em você não muda, que te acompanha da infância à velhice e à sua morte. A isso, nós chamaremos de “masculino”. 

O “feminino” é TUDO O MAIS: tudo aquilo que muda em você, desde a sua aparência física, até as suas mudanças de humor, as qualidades de sua energia, sentimentos, sensações, percepções, o clima, as cores, cheiros e sabores que preenchem o seu dia. Tudo o que acontece, a própria VIDA desabrochando, isso é o “feminino”. 

Na Ayurveda, a fonte de toda a existência é a Consciência Cósmica universal, que se manifesta no mundo nas formas da energia masculina e feminina. “Purusha”, associado ao masculino, é a pura consciência, sem forma, passiva, além de causa-e-efeito, além de espaço e tempo, que não participa da criação, mas é a testemunha silenciosa dela. “Prakriti”, a energia feminina, é o reino da ação consciente no mundo, tem forma, cor e características, sendo a própria dança divina da criação. Todos nós somos filhotes do útero de Prakriti, a Mãe Divina. Toda a natureza vem dela. Além disso, tanto Purusha quanto Prakriti são eternos, “fora da roda do tempo”, incomensuráveis, e estão presentes em tudo e todas as coisas, incluindo-se os homens, as mulheres, todos os seres vivos e mesmo objetos inanimados. 

Assim, sempre que eu me referir ao “masculino”, estarei fazendo referência àquilo que em você não muda, à testemunha, à plena consciência observadora; e, quando falar do “feminino”, a referência é a tudo o mais em você: humores, sabores, cores, tempo, clima, energias, etc. De forma simplificada, podemos dizer que o masculino é o “reino da consciência” e o feminino é o “reino da energia ou luz”. E o Universo como o conhecemos é o resultado da foda cósmica entre Purusha, o amante, o masculino, e Prakriti, a amada, o feminino; entre os princípios ativos do masculino e do feminino, do encontro entre consciência e luz. 

Desse modo, cada momento que emerge em seu campo de atenção é uma representação instantânea desse “Big-Bang” da criação, que se repete indefinidamente, momento a momento. A sua capacidade de perceber a natureza real de cada instante como uma “micro-representação” desta foda cósmica é uma demonstração da sua maturidade espiritual. 

As práticas meditativas também podem assim ser classificadas em duas “macro-categorias”: como práticas que estimulam, alimentam e desenvolvem o masculino, ou aquelas voltadas para desenvolver o feminino. Essencialmente, práticas baseadas em uma postura imóvel, com o foco no silêncio e na observação da respiração — o estereótipo de “meditação” para os leigos — podem ser chamadas, nesse contexto, de práticas “masculinas”; por outro lado, práticas baseadas em movimentos sagrados, danças devocionais, ou meditações dinâmicas, cujo foco é o despertar e a circulação da energia vital, podem ser chamadas de práticas “femininas”. 

A partir dessa diferença fundamental entre práticas masculinas e femininas, podemos também observar que cada uma delas busca um ideal diferente: o masculino busca o vazio, o silêncio; o feminino busca a sensação de plenitude da energia, o sentimento de estar “cheio de vida”. 

Por razões históricas, a virtual exclusão das mulheres e a predominância de homens em mosteiros e círculos religiosos em geral acabou por deixar como legado uma certa perversão espiritual que associa meditação ao estereótipo do sujeito sentado em silêncio e despreza tudo o mais como nonsense. Chamo isso de “perversão” propositadamente, pois é resultado simplesmente de um prolongado período de repressão do feminino, que vai desde o século III ou IV B.C. até a ascensão do feminismo, na segunda metade do século XX. 

Hoje, há uma abertura muito maior para a exploração destes aspectos da presença alerta e consciente (masculino) e do fluxo desimpedido de energia vital e luz (feminino) em cada um de nós e, assim, a tarefa do “buscador moderno” consiste em integrar esses aspectos dentro de si mesmo, através da combinação inteligente de práticas que estimulem cada um destes “pólos” do nosso ser. O objetivo desta integração é adquirir fluência em ambos os aspectos de Purusha e Prakriti e, assim, ser capaz de uma ação equilibrada no mundo. 

No entanto, não há “receita de bolo” nem “técnica universal” que funcione para todo mundo. Isso seria tão estúpido quanto receitar laxante pra quem já está com diarréia. Para cada um, uma prática customizada, calibrada para o seu momento específico de vida e seus desafios atuais, é a única “receita” possível. Além disso, outro aspecto a considerar na definição de sua prática específica, individual, é a sua essência sexual: indivíduos com uma essência sexual mais masculina (homens ou mulheres!) terão maior identificação com as práticas masculinas e vice-versa para homens ou mulheres cuja essência for mais feminina. Isso será tema de uma próxima coluna. 

O crescimento e o amadurecimento pessoal dependem portanto deste equilíbrio entre os aspectos do masculino e do feminino dentro de você. Experimente! E boa sorte!

Meditações dinâmicas: “desentupindo o cano”

Na coluna anterior, prometi apresentar algumas técnicas para lidar com a sombra e, assim, abrir espaço para o reconhecimento e a integração do silêncio em sua vida. De novo, e como adiantei ao iniciar este blog, procurarei seguir sempre a regra de me basear apenas naquilo que é a minha experiência direta, sem entrar em discussões filosóficas ou conceituais, a menos que absolutamente necessário para ilustrar algum ponto específico do assunto abordado. Isso posto, vamos lá.

Na minha experiência, a maioria das pessoas associa “meditação” a um sujeito sentado em posição de lótus, com a coluna ereta, as mãos posicionadas sobre os joelhos, o polegar puxando o dedo indicador em direção à palma, os demais dedos esticados (também chamado “gyan mudra”), e respirando de acordo com certas regras, dependendo da escola ou doutrina seguida. Nessa versão da prática meditativa, o objetivo do meditador é silenciar a mente. (Eu volto a esse ponto em outra coluna!)

No entanto, e bastante simplificadamente, meditar significa apenas “fundir-se com” o objeto de sua meditação. Nesse sentido, meditamos quase todo o tempo, mesmo que inconscientemente. Assim, aquele momento de trânsito pesado, em que o cidadão negocia a cotoveladas (ou eu deveria dizer a “fechadas” e “guinadas”?) seu espaço entre os outros carros, é um momento em que ele se funde, se torna, aquele estereótipo de stress encarnado atrás de um volante. Num outro extremo, os dois amantes que se derretem em enlevo amoroso, deitados nus um ao lado do outro, fundindo-se um no outro e tornando-se um só, meditam na expressão deste amor em derretimento físico e na sensação se ausência de fronteiras ou limites entre um e o outro.

Entendida nesse contexto, qualquer atividade na qual você coloque sua atenção plena se torna uma meditação. Aqui entra o conceito e a importância da qualidade de sua meditação. “Você é o que você come” – ou seja, as qualidades ou características daquilo sobre o que você medita – consciente ou inconscientemente, já sabemos – tendem a se incorporar a você como seus próprios traços. Ken Wilber chama isso de converter estados em características (“states into traits“). Assim, se seus pensamentos giram constantemente em torno de seu futuro incerto, o resultado natural é o seu comportamento ansioso; se a sua preferência é pelas memórias do passado, um dos resultados possíveis é a melancolia. Desse modo, focar-se no silêncio, em pensamentos ou visualização de imagens de harmonia e compaixão, deverá trazer para seu ser qualidades mais compassivas e harmoniosas, à medida que sua prática se aprofunda.

E é aqui que entra o papel das chamadas “meditações dinâmicas”, uma das geniais criações do revolucionário místico indiano Osho (a.k.a. Bhagwan Shree Rajneesh, www.osho.com), nos anos 70. Osho percebeu, ao receber crescentes grupos de buscadores ocidentais em seu ashram em Poone, Índia, que era praticamente impossível para estas pessoas, recém saídas do dia-a-dia estressante de suas vidas urbanas, chegarem a um retiro e se sentarem em silêncio — a inércia dos pensamentos acelerados praticamente inviabilizava a experiência direta de meditação em silêncio. Era preciso primeiro esvaziar os conteúdos emocionais, as tensões físicas e os pensamentos incessantes, para que só então o sujeito conseguisse a paz necessária para um bom “zazen”. E este caminho passa pelo corpo.

Entre as “n” técnicas de meditação dinâmica criadas por Osho, certamente a mais recomendada para lidar com a sombra e a inércia de nossos conteúdos emocionais e pensamentos incessantes é a chamada, literalmente, “Dinâmica”. Composta por 5 estágios, marcados por uma trilha sonora especialmente construída para a meditação em um CD de apoio, com duração de uma hora, recomenda-se praticá-la de manhã cedo, antes de iniciar as atividades diárias. O primeiro estágio consiste em uma respiração caótica, extremamente intensa e com foco somente na “expiração”, por cerca de 10 minutos. Esse estágio é crucial e prepara o restante da meditação. Se você não coloca 100% de intensidade nesta etapa, o restante é praticamente desperdiçado. Logo após a respiração caótica, entra o segundo estágio: a catarse. É o momento de botar tudo pra fora, explodir as energias “trancadas” dentro de si, gritar, espernear, dar porrada em almofada, matar o chefe e a sogra, etc. Importante nesse momento é manter o corpo sempre em movimento, mesmo que venham sentimentos de tristeza e choro, para não deixar a energia estagnada. Essa fase será subitamente interrompida pelo “WHO”, o terceiro estágio, onde se deve saltar (baixo) sobre as plantas dos pés, com os braços esticados para o alto, ao mesmo tempo em que se emite um som gutural “WHO-WHO-WHO…” a partir do baixo ventre, ininterruptamente, seguindo a música. Esse estágio tem a dupla função de “limpar” qualquer conteúdo remanescente da fase da catarse, de forma súbita, e exaurir suas energias fisicamente, para que o silêncio — no quarto estágio — possa se manifestar. O “WHO” então termina com um súbito “STOP” e você paralisa seu movimento, na posição em que estiver, e mantém essa posição durante todo o período de silêncio. Apenas observe o que acontece, dentro e fora, seu corpo, sua energia, emoções, pensamentos. Não se envolva e apenas seja a testemunha. No final, o quinto estágio traz a música para uma dança final de celebração. E você pode comemorar ter “sobrevivido” a mais uma Dinâmica.

Não recomendo fazer essa técnica sozinho, especialmente se nunca a tiver praticado. Grupos praticantes de Dinâmica podem ser encontrados em sua região, basta dar um Google, e tem até instrução no YouTube, numa matéria do ClicRBS, com o bônus do gauchês da “guria” que descreve a técnica: http://www.youtube.com/watch?v=RhnMsJk8zdM

Como uma nota final: vai por mim, você vai ver o vídeo e achar tudo esquisitíssimo, que foi exatamente como eu reagi a primeira vez que vi alguém fazendo Dinâmica… Eu estava em um retiro na Suécia, super zen, alimentação vegetariana e tal, e, na época, eu praticava Tai Chi Chuan. Fui fazer minha prática cedinho, do lado de fora do dojo onde as meditações aconteciam, e de repente!, começa aquela barulheira lá dentro e uma norueguesa, sozinha, começou a fazer a tal da Dinâmica. Do alto da minha pretensão, pensei: “Nossa, isso é coisa pra esses europeus reprimidos, que precisam passar por isso! Eu não vejo sentido nisso, não é pra mim!” Essa era a medida do meu auto-engano… Depois que comecei a praticar Dinâmica diariamente, levei ainda várias semanas para que a “coisa” despertasse e a minha “caixa de Pandora” fosse aberta. Aí, meu caro, sai da frente!!!

O potencial dessa meditação é realmente enorme, tão ilimitado quanto as suas próprias necessidades de se observar e de se conhecer. E, na minha experiência, sem antes “se esvaziar” e “desentupir o cano”, não tem meditação “zen” que sobreviva. Na linha do que disse na coluna anterior, não existe luz sem sombra, e é impossível avançar para a luz sem trabalhar de forma consciente a sua sombra.

Encontre um grupo em sua cidade, faça Dinâmica, e compartilhe aqui.

Boa meditação!

 

Fantasias sexuais: o lado sombra

Retiro Tao Tien

No grupo de homens que fizemos neste último final de semana (23-25/05), no Retiro Tao Tien http://www.taotien.com.br, em Extrema-MG, um tema que apareceu com muita intensidade foi o da sombra e seus efeitos sobre nossa vida sexual. Um equívoco comum de gente envolvida com meditação é a falsa noção de “buscar a luz”, em oposição à vida na escuridão do stress cotidiano, como se fosse possível eliminar uma ao se direcionar para a outra.

Na realidade, boa parte das práticas meditativas procura nos “trazer para o presente”, “conectar com o coração”, permitir o “desabrochar da compaixão”, e, de fato, meditações dinâmicas e o posterior e simples sentar-se em silêncio têm a capacidade de sintonizar o indivíduo com estes aspectos mais sutis — e, portanto, mais nobres — de sua psique. No entanto, neste nosso plano de existência onde a dualidade é inerente ao habitar um corpo físico, é impossível a existência de luz sem escuridão: uma não existe sem a outra. Uma boa imagem é a de um dia nublado, em que sua sombra praticamente não aparece. Surge o Sol por detrás das nuvens e, pronto!, com ele a sua sombra, tão mais marcante quanto mais intensa for a luz do Sol.

Assim, focar em práticas “amorosas”, “compassivas”, objetivo de certos tipos de meditação, tem o falso efeito de empurrar o sujeito para a luz e afastá-lo da escuridão. Falso porque, sem o reconhecimento da existência da sombra, da necessidade de seu acolhimento e posterior integração, as práticas de luz tornam-se frágeis como um gigante de pés de barro, e as manifestações da sombra “vazam” na forma dos chistes, da inveja mal disfarçada, da “concorrência espiritual” (“eu sou mais iluminado do que você”) e de todo tipo de mesquinharia que parece ser infelizmente a regra nas assim chamadas “comunidades espirituais”. Ou você mesmo não conhece algum meditador full of shit? Aquele sujeito que “se acha” superior aos demais? Esse comportamento é um reflexo típico de aspectos da sombra que, ignorada, pilota sua vida sem que você se dê conta.

O sexo é um dos campos onde isso se manifesta de forma flagrante. Para o homem, pode aparecer como o típico caso do sujeito que não consegue fazer com a própria esposa aquilo que sonha (ou, pior, FAZ) com uma puta. Para a mulher, por outro lado, o lado sombra às vezes se traduz na substituição de uma noite de “sexo divino” por mais chocolate e sapatos novos…

Quanto mais intensas suas práticas “luminosas” e de “transcendência”, tanto mais necessárias as práticas que ampliam a sua fluência no lado sombrio.

Explorar as suas fantasias sexuais, trazê-las para o seu nível consciente e, por que não?, realizá-las em determinados casos tem o efeito benéfico de integrar os aspectos de sua sombra em sua vida desperta, com um potencial benefício para todos à sua volta.

Indicações de como fazer isso deve ser tema de um próximo post.